Vitória maiúscula: o Flamengo sabe, sim, jogar mata-mata de Libertadores


Dois a zero em Quito. A 2.850 metros de altitude, no Atahualpa, contra um time que lidera o seu campeonato nacional com mais de 24 pontos à frente do segundo colocado. O Flamengo saiu do Equador com uma enorme vantagem e com um recado que precisava dar. Porque não foi fácil, e é bom que não tenha sido.
O primeiro tempo foi o pesadelo que todo mundo previu. O Del Valle tomou conta da bola, empurrou o Flamengo para trás, ficou morando no campo de ataque. Carlos González, o homem deles, chegou a acertar a trave. O ar não entrava, a bola não chegava na frente, e o relógio andava devagar do jeito que anda quando a gente está sofrendo. E o Flamengo suportou.
Essa é a primeira lição, e é a que separa time grande de time que só joga bonito: em mata-mata, saber sofrer vale tanto quanto jogar bonito. O Rubro-Negro aguentou o pior momento do adversário, na casa dele, na altitude, e foi para o intervalo com o zero preservado. Quem entende de Libertadores sabe o tamanho disso.
Aí veio o segundo tempo e o jogo mudou de dono. Aos 15, Jorginho puxou, Samuel Lino avançou pela área e cruzou rasteiro. Bruno Henrique apareceu livre, como aparece há sete anos quando o assunto é Libertadores, e empurrou para as redes. Um a zero e o ar voltou a entrar. Quinze minutos depois, escanteio curto, jogada ensaiada. Emerson Royal levantou na segunda trave e Léo Pereira subiu para cabecear no contrapé do goleiro. Dois a zero.
Durante muitos anos existiu uma frase que grudou na nossa autoestima: o Flamengo não sabe jogar Libertadores. A competição tem manhas próprias, altitude, gramado ruim, arbitragem estranha, catimba, viagem desgastante, e que o Flamengo entrava nisso como quem entra em campeonato carioca. Aí vieram 2019, 2022 e o tetra em 2025.

A frase morreu ali, mas fantasma de frase antiga demora a ir embora. E noite como a de Quito é o tipo de coisa que enterra de vez. Porque olha o que aconteceu. Um time que soube sofrer no primeiro tempo, soube esperar o momento, soube ser letal e administrar o resultado nos minutos finais. Não é soberba, tá? Mas é jogo de time campeão.
Agora, calma.
O 2 a 0 é ótimo e não é definitivo. Quem já viu Libertadores na vida sabe que vantagem construída fora de casa se perde em quinze minutos de desatenção. O passo foi dado, e um dos grandes. Agora é confirmar em casa, com o que a gente tem de melhor: a nossa torcida e a certeza de que esse time aprendeu a jogar essas noites.
Vitória maiúscula. Que venha a próxima.



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