Perdemos algum título e eu não sei?
- Igor Schulenburg

- há 2 dias
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O Flamengo rolou a bola depois de 33 dias. Amistoso de intertemporada, julho, Portugal, nove jogadores servindo seleções na Copa do Mundo, uruguaios de férias, elenco reduzido e até a volta de Lorran. Saímos atrás, viramos bem, fizemos um ótimo primeiro tempo, sofremos o empate: 2 a 2 com o River Plate. O River. Não era o... (ia colocar qualquer time bem menor aqui, mas poderia ser falta de respeito).
E antes do apito final, a timeline nas redes sociais já tinha decretado: uma bosta. O time é ruim, o técnico não sabe o que faz, fulano tem que ir embora, desse jeito o Cruzeiro passa por cima, cadê as contratações, e por aí vai. Isso no primeiro jogo, depois de um mês parado, amistoso de intertemporada.
Sobre o jogo: o Flamengo fez um primeiro tempo dos bons. Tomou o gol numa saída errada do Jorginho — a paçoca existiu, ninguém nega —, mas ele tem crédito e, mais uma vez, era um amistoso! O mesmo Jorginho roubou a bola que virou o empate do Samuel Lino. Aliás, Samuel Lino: jogando por dentro, fez gol, deu uma assistência açucarada pro Bruno Henrique virar com drible desconcertante — e o 27 ainda levantou a camisa pra mostrar a tatuagem da Libertadores na cara dos argentinos. BH fez ótima partida. Pedro estava aplicado e perdeu pelo menos uns quatro gols feitos. Teve travessão do BH antes do intervalo. Primeiro tempo o Fla poderia ter feito uns cinco, seis gols. Fora a chance de vitória nos acréscimos, com Wallace Yan desperdiçando bizarramente mais um tento. Até o Royal fez um bom jogo e parte dos internautas não perdoa.
Time desentrosado? Óbvio. Período parado, meio elenco na Copa. Errou? Errou. Amistoso serve exatamente pra isso: errar longe do campeonato. É treino aberto com adversário de peso, não decisão. Mas virou moda o mundo acabar após cada revés, seja ele qual for. Empate em amistoso? Fim do mundo. Segundo tempo abaixo? Fim do mundo. Substituição que não agradou? Fim do mundo. O sujeito exige agora o que se cobra em decisão, trata jogo-treino como final e transforma empate em apocalipse — até o jogo seguinte, quando o mundo renasce pra poder acabar de novo.
E o mais curioso: quem estava dentro de campo entendeu o jogo melhor do que quem estava no sofá com o celular na mão. Bruno Henrique falou em bom resultado e continuidade de trabalho. Jardim chamou de bom teste para o calendário que vem. Mas ele quer reforços, e isso foi uma percepção minha ao ver ele falando. Não é informação, mas há algo pairando por ali. Enquanto isso, trabalho. Essa é a alternativa. E com o elenco possível. Cebolinha vai sair? Royal? Lorran? Janela? Calma, moçada!
Reclamar é direito de torcedor, sempre foi e sempre será. Cobrar faz parte, e essa exigência é parte do que fez o Flamengo ser o que é. Mas tem uma diferença entre exigência e modus operandi de quem está atrás de uma tela. Tem gente que já não torce pra ver o Flamengo jogar bem — torce pra ter razão quando reclama. E eu prefiro errar o tempo todo, e ver o Mengão melhorando.
O calendário segue: Lausanne dia 8, Benfica dia 11, e a bola valendo de verdade dia 22, contra a Chapecoense, pelo Brasileirão. Aí sim: cobra, exige, aperta. É teu direito e teu papel.
Até lá, respira. O mundo não acabou. Era só um amistoso.
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