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Flamengo renova com a Shopee até 2027 em reunião com críticas de Landim

Foto do escritor: Igor Schulenburg
Igor Schulenburg
há 2 dias
3 min de leitura
Manga da camisa do Flamengo com a marca da Shopee, patrocinadora renovada até 2027
Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

O Conselho Deliberativo do Flamengo aprovou, na noite desta terça-feira (3), a renovação do patrocínio da Shopee até o fim de 2027, por R$ 14 milhões anuais. A marca continua nas mangas das camisas dos times masculino, feminino e sub-20. Foram 287 votos a favor, dois contra e duas abstenções. A informação foi publicada primeiro pelo UOL e confirmada pelo ge.


O contrato, porém, não foi o que esquentou a reunião na Gávea. O foco da tensão foi a situação financeira do clube, com críticas do ex-presidente Rodolfo Landim e a saída do presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, do salão.


Os números do acordo


O novo valor fixo é R$ 1 milhão maior que o de 2026, quando a Shopee pagou R$ 13 milhões, mais R$ 1 milhão para ações promocionais. O Flamengo também aumentou de 5% para 8% sua comissão nas vendas pelo programa de afiliados da plataforma.


A parceria começou em janeiro de 2025, com um contrato de R$ 12 milhões, quando a empresa assumiu as mangas no lugar do Kwai. Agora, a Shopee chega à terceira temporada seguida no uniforme. No mesmo dia da votação, o clube lançou uma camisa exclusiva para o aplicativo da empresa, por R$ 89,90. É o terceiro modelo criado pelas duas marcas.


A renovação encerra semanas de dúvida sobre a relação. Em outubro, o Flamengo usou o espaço do patrocinador máster para protestar contra a medida provisória que proibiu a publicidade de apostas, com a frase "Proibir não é proteger". Nos jogos seguintes, contra Santos e Fluminense, a marca da Shopee não apareceu nas mangas. A empresa tem uma política interna que restringe a promoção de apostas, mas não houve notificação oficial ao clube por descumprimento de contrato.


Landim cobra, Bap deixa o salão


Luiz Eduardo Baptista, o Bap, e Rodolfo Landim, presidente e ex-presidente do Flamengo
Bap e Landim — Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

Landim voltou à vida política do clube por decisão da Justiça, depois de ter sido expulso pela atual gestão. Na reunião, ele questionou como a diretoria vai pagar a premiação aos jogadores se o time conquistar o Brasileirão. Segundo o colunista Rodrigo Mattos, do UOL, o ex-presidente chamou o orçamento de 2026 de "peça decorativa" e cobrou mais transparência. Também classificou como "bode expiatório" o argumento ligado à proibição das casas de apostas.


Quando Landim se dirigiu ao palco para falar, Bap se levantou e saiu do salão. Foi a primeira vez, desde que assumiu o clube, que o presidente não discursou em uma reunião do Conselho Deliberativo, o que surpreendeu os quase 300 conselheiros presentes.


As contas em debate


Até setembro, o Flamengo arrecadou R$ 1,06 bilhão, ou R$ 1,16 bilhão contando as receitas ligadas ao Maracanã. As despesas somaram R$ 930,7 milhões, e o investimento no elenco chegou a R$ 617,2 milhões. O resultado acumulado no período foi positivo em R$ 3,2 milhões (R$ 4,5 milhões com o Maracanã), com cerca de R$ 50 milhões em caixa.


A projeção para o fim de 2026, no entanto, é de déficit de R$ 40 milhões caso o clube não venda jogadores. Entre os motivos estão negociações abaixo do esperado e o volume gasto na montagem do elenco.


A diretoria se defendeu no balancete do terceiro trimestre, divulgado na última sexta-feira. A gestão afirma que as receitas recorrentes cresceram e que o endividamento segue em níveis administráveis, apesar da frustração de receitas e dos investimentos no futebol.


O embate tem pano de fundo eleitoral. A próxima eleição presidencial do Flamengo está prevista para o fim de 2027, e Bap e Landim, que presidiu o clube entre 2019 e 2024, são apontados como possíveis candidatos.

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