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Muito jornalismo, crônica e opinião. Pra toda Nação Rubro-Negra.

Eu odeio data FIFA

Foto do escritor: Igor Schulenburg
Igor Schulenburg
há 1 dia
2 min de leitura

O Brasileirão na reta final, a Libertadores em andamento, e o futebol brasileiro vai parar. Não por uma rodada, um fim de semana.

Pronto, falei.


O Brasileirão na reta final, a Libertadores em andamento, e o futebol brasileiro vai parar. Não por uma rodada, um fim de semana. Dezesseis dias, de 21 de setembro a 6 de outubro. Tudo congelado. E para quê? Para a Seleção jogar duas vezes contra a Austrália e uma contra a Índia. Em novembro, para jogar com o Japão e com Singapura. Cinco amistosos no segundo semestre, todos do outro lado do planeta, todos começando às sete da manhã no nosso relógio. Sete da manhã. Nem o torcedor que ainda liga vai ver.


Os jogos na Austrália têm até nome de evento: Queensland Football Series. A Seleção Brasileira virou atração de uma série comercial de um estado australiano. E o jogo contra a Índia a CBF explicou assim, e está escrito no site deles, que não é uma questão técnica e muito um agradecimento aos indianos pelo carinho durante a Copa. Agradecimento.


O futebol de um país inteiro para por duas semanas e meia para retribuir gentileza. E olha, eu nem vou fingir indignação com a Fifa. A Fifa reserva a data e pronto, faz isso com o mundo todo. Quem escolhe o que fazer com esses dias é a CBF. Quem senta, negocia, marca, escolhe adversário e define destino é a CBF. E o que ela escolheu foi isso.


Claro que escolheu. A Europa se blinda, não quer jogar com a gente nessas janelas, e a própria CBF admitiu que não achou adversário europeu disponível. Então sobra ir para onde pagam. Bota a camisa amarela no avião e vende o espetáculo onde tem mercado. Enquanto isso, o jogador do meu time atravessa o mundo, joga num fuso absurdo, atravessa de volta, e retorna para o clube do jeito que Deus quiser. Se voltar inteiro, foi sorte. Se voltar machucado, o problema é do clube, que paga o salário, que precisa dele, que está decidindo a temporada.


Eu não dou a mínima para a Seleção. Não dou mesmo. Acho inúteis jogos com esses. A entidade que a administra é corrompida faz tempo. E não falo isso com felicidade. Prefiro o Flamengo campeão do que o Brasil. A minha seleção é rubro-negra.


Enquanto o Brasil joga em Townsville às sete da manhã para um estádio de vinte e cinco mil pessoas, eu vou estar contando os dias para a bola voltar a rolar no que interessa.


Que passe logo.

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