Enquanto se discutia o Almada...


Deixa eu fazer uma pergunta antes de qualquer coisa: quantos dias você passou, esse mês, falando de um cara que nunca vestiu o manto? E quantos você passou falando de por que o Flamengo joga do jeito que está jogando? Se você for honesto, já sabe a resposta. E é esse o problema.
A novela começou no início de julho e não terminou até hoje. Um mês. Trinta dias de "ele vem", "ele não vem", "esposa não quer sair de Madri", "prazo até segunda", "teto de 160 milhões", "viaja ao Rio", "esnobou o Flamengo". Jornalista argentino publicando uma versão, brasileiro publicando outra, influenciador cravando as duas na mesma semana e ninguém pedindo desculpa por nada.
E sabe o que existe de oficial, depois de um mês inteiro? Nada. Nenhum anúncio. Nenhuma assinatura. Nenhuma confirmação de ninguém. O único que falou com nome, cargo e cara limpa foi o José Boto — e o que ele disse foi exatamente o contrário do circo: que não é uma contratação fácil, que negociação exige tempo e paciência, e que o jogador estará aqui quando for possível. O diretor pediu calma. A internet entregou trinta capítulos. E olha, não tô em defesa do Boto não, mas tenha a santa paciência.
Agora vamos ao que importa.
Enquanto isso tudo rolava, o Flamengo estava em campo jogando mal. Não é a minha opinião, tá lá pra quem quiser ver. E o calendário não está nem aí pra novela: vêm as oitavas da Libertadores contra o Cruzeiro. Se o Flamengo cair, a temporada pode acabar se não houver mudança de atitude. Em agosto. E o assunto do mês foi um meia do Atlético de Madrid que talvez nunca pise no Ninho. Essa é a real discussão que deveria estar acontecendo de forma lúcida. Mas não acontece por quê?
Ah, falar do time dá trabalho. Precisa argumentar, se expor e admitir que ninguém, nem torcedor analítico, nem jornalista, sabe direito o que aconteceu. Por que o Flamengo perdeu as virtudes ao invés de corrigir os erros?Já repostar o print de um jornalista argentino leva três segundos e rende engajamento. É mais fácil e muito mais raso. Mas essa história já foi longe demais.
A Libertadores tá aí. Eu não sou profeta do apocalipse, mas o pior cenário é um dos possíveis. E sem atitude, sem reação no Brasileiro e sem estar classificado, Almada não teria nem o que fazer aqui.



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