Comemorar lesão é torcer contra o futebol
- Igor Schulenburg

- há 21 horas
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A Nação assiste a essa Copa do Mundo com dois corações batendo. O do brasileiro, que quer o hexa como todo mundo. E o do rubro-negro, que a cada jogo do Brasil, do Uruguai, e até do Equador, olhava pro gramado e via um pedaço do time ali dentro. E essa Copa, vamos ser diretos, está sendo dura com os nossos.
Paquetá foi titular nos quatro jogos do Brasil. Contra o Japão, sentiu ainda no primeiro tempo e saiu chorando no intervalo. O exame confirmou o que ninguém queria ler: lesão no posterior da coxa, grau dois. Não é uma lesão fácil de ser tratada. Três a quatro semanas de recuperação. Na prática, a Copa dele acabou — ele segue com a delegação por uma chance remota de estar numa eventual final, mas todo mundo sabe o tamanho dessa palavra: remota. Outra: numa "final".
Arrascaeta nem chegou a estrear. O cara quebrou a clavícula em abril, correu contra o tempo, se entregou na recuperação pra viver o sonho de mais uma Copa pelo Uruguai — e o corpo não deixou. Não entrou em campo um minuto sequer.
E o Plata, que viveu os dois extremos em uma semana: herói da classificação do Equador contra a Alemanha e eliminado logo depois pelo México.
Vamos esclarecer um ponto importante: torcida que é torcida meeeeesmo, não tá torcendo pra jogador machucar porque ele não joga no seu clube do coração. Eu queria ver o Paquetá brilhando em mata-mata de Copa e o Arrascaeta jogando para o mundo ver. Por isso, o que se viu nos últimos dias passa de qualquer limite: gente comemorando a lesão do Paquetá. Comemorando músculo rasgado de um atleta da Seleção Brasileira, em plena Copa do Mundo, só porque ele veste a camisa do Flamengo? Isso não é rivalidade. Comemorar lesão é pequenez. E quem faz isso não torce contra o Flamengo — torce contra o futebol.
E ainda piora. Tem gente da própria imprensa, pseudojornalista, gente com voz e abrangência que, mascaradamente, propaga esse tipo de discurso. Dá pra acreditar? Claro que dá, mas é torpe, sórdido e só mostra por onde o ser humano é capaz de caminhar.
O que importa agora é a recuperação. Depois as mini-férias. A paciência e a sabedoria para se recuperar da melhor forma. Aqui a gente levanta junto.
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