top of page
BARRA SUPERIOR YOUTUBE_edited.jpg

Muito jornalismo, crônica e opinião. Pra toda Nação Rubro-Negra.

Agora só falo através de Nota Oficial

  • Foto do escritor: Igor Schulenburg
    Igor Schulenburg
  • há 19 horas
  • 3 min de leitura
 Onde não existe autoridade, sobra barulho. Enquanto for assim, vai continuar exatamente igual. Departamento de comunicação virando Central do Apito. Nota mal escrita sendo discutida por toda a mídia esportiva. Derrota virando asterisco. E torcedor, que só queria ver futebol, passando a semana inteira discutindo VAR em vez de tirar sarro do amigo e rir junto com ele.

O futebol brasileiro viveu mais uma semana decidida em linhas mal escritas.


O Palmeiras venceu o Vitória por 4 a 0, com dois expulsos do outro lado, e ainda assim soltou nota oficial reclamando de decisão contra um jogador seu. O Flamengo respondeu com outra nota, dessa vez com planilha, citando o levantamento do GE que aponta o Palmeiras como o clube com mais decisões alteradas a seu favor desde 2020. A presidente do Palmeiras chamou o Flamengo de cara de pau. O técnico foi à coletiva e citou, mais uma vez, a final da Libertadores de 2025.


E antes de qualquer coisa, uma verdade que precisa ser dita logo no começo: todo mundo só reclama de arbitragem quando é prejudicado. Quando o contrário, ou fica em silêncio ou, pior, como faz Abel Ferreira dá um jeito de falar o que ninguém viu. Nem ele mesmo acredita. Quem acha que só o rival é favorecido ou está mentindo ou não acompanha futebol. Não existe clube grande no Brasil com as mãos limpas nessa história.


O que existe é a intensidade e a quantidade de vezes que cada um se manifesta. E é aí que o Palmeiras se distingue por consistência. O que o clube paulista faz é política, o tal do método. A "Era Abel Ferreira" transformou essa palhaçada coletiva. Ele e seus asteriscos.


Repare no que isso significa. Não é um homem magoado falando no calor do momento. É um método. Ele citou o asterisco ao ser duplamente derrotado ano passado. Citou depois de vencer o Flamengo por 3 a 0 em maio. Citou numa homenagem em julho. Citou de novo agora em agosto, depois de golear o Fortaleza pela Copa do Brasil. Ganhando, o asterisco aparece. Perdendo, o asterisco aparece. A derrota virou patrimônio, e patrimônio a gente administra.


Funciona! Funciona porque o árbitro que vai apitar o próximo jogo do Palmeiras sabe de tudo isso. Sabe que existe um clube que emite nota, que tem técnico com microfone toda semana, que tem presidente chamando de cara de pau quem discorda. Nenhum apito é imune a esse ambiente. Nenhum.


Mas agora vem a pergunta que interessa de verdade, e ela não é sobre o Palmeiras. Por que diabos o futebol brasileiro decidiu que o jogo se ganha assim?


Porque a arbitragem no Brasil é ruim. Não é conspiração, é incompetência. Erro atrás de erro, critério que muda de um jogo pro outro, VAR que intervém aqui e some ali. Num ambiente onde ninguém confia no apito, pressionar deixa de ser mau caráter e vira estratégia racional. Se o erro vai acontecer de qualquer jeito, o clube que grita mais alto e mais vezes aumenta a chance de o próximo erro cair pro seu lado. É feio? É. Mas é extremamente lógico e digo mais, é pensado. E a CBF? É a CBF. Que só abre a boca quando não tem mais nenhum escudo, ou nenhuma cortina de fumaça por perto.


Os clubes não inventaram esse jogo de Nota Oficiais e choradeira disfarçada de método. Eles só ocuparam o vazio que a CBF deixou. Onde não existe autoridade, sobra barulho. Enquanto for assim, vai continuar exatamente igual. Departamento de comunicação virando Central do Apito. Nota mal escrita sendo discutida por toda a mídia esportiva. Derrota virando asterisco. E torcedor, que só queria ver futebol, passando a semana inteira discutindo VAR em vez de tirar sarro do amigo e rir junto com ele.





Comentários


bottom of page